Parto prematuro: sintomas, definição e como agir

Na vida tudo tem um tempo certo para acontecer. Um dos momentos em que essa máxima mais se manifesta é o nascimento de um ser humano. Para que um bebê se desenvolva seus membros, tecidos e órgãos de forma adequada é necessário que o período de gestação, que vai da concepção até o nascimento dure em média de 38 a 42 semanas.

 

 

No entanto, pode acontecer de o bebê nascer antes das 37 semanas. Essa chegada antes do período regulamentar é conhecida como parto prematuro, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Sendo assim, pode-se entender como parto prematuro um nascimento que acontece entre 22 e 37 semanas.

Conceitua-se gravidez pré-termo aquela cuja idade gestacional encontra-se entre 22 (ou 154 dias) e 37 (ou 259 dias) semanas. Nesse período, o trabalho de parto é caracterizado pela presença de contrações frequentes (uma a cada 5 a 8 minutos) acompanhadas de modificações cervicais caracterizadas por dilatação maior que 2,0cm e/ou esvaecimento maior que 50%.

O momento do despertar do trabalho de parto continua sendo um mistério para a medicina, mas uma tese é clara e verdadeira: o momento espontâneo para o início do trabalho de parto é aquele onde o feto já não se sente bem dentro do útero e a mãe já não se sente confortável com outro ser dividindo o mesmo corpo. Ou seja, “é chegada a hora de quebrar a casca do ovo”.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é o décimo país com maior índice de partos prematuros. Essa é a principal causa de morte de bebês no primeiro mês de vida.

Ameaça de parto prematuro

Em alguns casos pode acontecer de a gestante começar a ter sinais de que está entrando em trabalho de parto, manifestando algumas contrações. No entanto, como o próprio nome diz é apenas uma ameaça e o trabalho de parto não acontece de fato.

Alguns sinais podem indicar uma ameaça de parto prematuro:

  • Contrações irregulares
  • Diminuição das contrações ao longo do tempo
  • Ausência de dilatação do colo do útero
  • Dor abdominal.

É importante ressaltar que caso a gestante sinta contrações antes das 37 semanas é imprescindível que ela vá para o hospital o mais rápido possível para que ela e o bebê sejam examinados. Somente o médico poderá dizer se de fato aquela se a gestante está em trabalho de parto ou se é uma ameaça de parto prematuro.

Tipos de prematuridade

Quando um bebê nasce antes da 38º semana ele é considerado prematuro. Porém existem diferentes níveis de prematuridade que variam de acordo com o período da gestação que o bebê nasceu:

Prematuro extremo

O bebê prematuro extremo nasce com menos de 30 semanas de gestação. Quando esse tipo de parto acontece, esse bebê vai precisar de muitos cuidados. Será necessário que ele fique um tempo na UTI neonatal e na incubadora. Vai precisar tomar banho de luz para melhorar a icterícia (cor amarelada da pele). Também pode ser necessário alimentar esse bebê por uma sonda.

Prematuro moderado

O bebê prematuro moderado nasceu entre 31 e 35 semanas. Esse bebê também vai precisar de muitos cuidados, pois assim como o prematuro extremo não desenvolveu seu sistema imunológico e respiratório completamente. Além disso, esses bebês perdem muito calor pela cabeça, por isso precisam ficar em incubadoras aquecidas e em contato com a luz. Dependendo do histórico do bebê na barriga da mãe, ele pode ter os pulmões um pouco mais amadurecidos. Mas essa condição varia de um caso para outro.

Prematuro limítrofe

O bebê prematuro limítrofe é o que nasce entre 36 e 37 semanas. Esse bebê também vai precisar de cuidados específicos. No entanto, em alguns casos, esse bebê consegue ter um contato maior com a mãe, ficar fora da incubadora por mais tempo e também ser amamentado.

É importante dizer que as necessidades e as possíveis consequências que o bebê venha a apresentar ao longo da vida podem variar de um caso para outro. Portanto, somente os médicos poderão dizer quais procedimentos e quanto tempo o bebê prematuro precisará de cuidado intensivos.

Causas do parto prematuro

Os especialistas explicam que não existe uma causa na medicina que ocasione o parto prematuro. No entanto, existem alguns fatores relacionados à gestação e à saúde da mãe que podem aumentar as chances de um parto prematuro.

  • Infecção urinária: a cultura de bactérias presentes na urina da gestante pode ocasionar contrações uterinas, levando assim a um parto prematuro. Para evitá-la é importante realizar o acompanhamento pré-natal de forma disciplinada, realizando os exames necessários e comparecendo às consultas
  • Descolamento de placenta: A placenta é um órgão redondo e achatado que se forma durante a gravidez, com a função de nutrir e fornecer oxigênio ao bebê. O descolamento da placenta é um problema de gravidez em que a placenta se separa demasiado cedo da parede do útero. Em uma gravidez normal, a placenta mantém firmemente ligado à parede interna do útero até depois que o bebê nasce. Caso haja descolamento prematuro da placenta, ela se rompe da parede do útero muito cedo, ocasionando assim o parto prematuro
  • Pré-eclâmpsia: essa condição ocorre quando uma mulher grávida tem pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) a qualquer momento após a sua 20ª semana de gravidez. A pré-eclâmpsia pode causar parto prematuro, pois pode causar um desprendimento da placenta da parede uterina antes da hora. O acompanhamento médico durante a gestação bem como o controle dos alimentos ingeridos pode ajudar a diminuir o risco de um pré-eclâmpsia
  • Descolamento prematuro de placenta: A placenta é um órgão redondo e achatado que se forma durante a gravidez, com a função de nutrir e fornecer oxigênio ao bebê. O descolamento da placenta é um problema de gravidez em que a placenta se separa demasiado cedo da parede do útero. Descolamento prematuro da placenta pode ser muito prejudicial. Em casos raros, pode ser mortal. O bebê pode nascer muito cedo (precoce) ou com baixo peso. A mãe pode perder uma grande quantidade de sangue
  • Diabetes gestacional: condição caracterizada por hiperglicemia (aumento dos níveis de glicose no sangue) que é reconhecida pela primeira vez durante a gravidez. A condição ocorre em aproximadamente 4% de todas as gestações
  • Distúrbios da tireoide: o hipotireoidismo não compensado é responsável por partos prematuros. Ao engravidar, é preciso ter atenção triplicada com a tireoide porque ela descompensa durante a gravidez sem avisar. Cabe ao obstetra atenção dirigida para a tireoide. Da mesma forma o hipertireoidismo durante a gestação pode resultar em vários problemas tanto para a mãe quanto para o feto, como causar descolamento prematuro de placenta
  • Infecções congênitas: Condições de saúde como sífilis, AIDS, toxoplasmose e citomegalovírus podem causar descolamento prematuro de placenta. Portanto é de grande importância o acompanhamento médico durante a gestação e atenção em relação à imunidade da gestante
  • Tabagismo: O tabagismo prejudica a circulação uteroplacentária que causa uma menor oxigenação fetal”, relata Roberto Eduardo Bittar. A diminuição do oxigênio que chega ao bebê faz com seu crescimento se torne mais restrito, o que gera uma interrupção prematura da gestação, ou seja, a mulher entra em trabalho de parto antes da hora
  • Alcoolismo e drogas ilícitas: O mecanismo específico de como o álcool e outras drogas ilícitas causam trabalho de parto prematuro é desconhecido, mas além de aumentar risco de infecções, ele causa o descolamento prematuro de placenta
  • Patologias uterinas: Existem malformações da cavidade uterina que são incompatíveis com a evolução de uma gravidez. Patologias como os miomas, pólipos e processos inflamatórios também podem agir desta forma. O exame para avaliação da cavidade do útero é a histeroscopia, onde é possível ter a visão direta da cavidade uterina. Em geral, os abortos mais tardios estão relacionados com malformações, como o útero didelfo (dois úteros formados por dois cornos uterinos e dois colos), o útero bicorno (dois corpos uterinos em um só colo), o útero septado (com um fenda na cavidade uterina) e incompetência cervical.

No entanto, algumas condições do bebê também podem levar ao nascimento de um bebê prematuro. Confira algumas delas:

  • Malformações fetais
  • Presença de síndrome genética
  • Gestação gemelar

Sintomas de parto prematuro

Quando a gestante entra em trabalho de parto prematuro o corpo manifesta alguns sintomas. Se você manifestar esses sintomas antes da 37ª semana de gestação é imprescindível ir para o hospital

  • Dor nas costas: geralmente mulheres que entram em trabalho de parto prematuro manifestam dores na parte inferior das costas. Essas dores podem ser constantes, ou irem e virem, mas não vão cessar
  • Contrações a cada 10 minutos ou em períodos menores
  • Dores na parte inferior do abdômen
  • Vazamento de fluido da sua vagina
  • Sintomas semelhantes a gripe, tais como náuseas, vômitos ou diarreia
  • Aumento da pressão na sua pelve ou vagina
  • Hemorragia vaginal, incluindo sangramento leve

Tabela de comparação entre um parto prematuro e uma ameaça de parto prematuro

Como é a sensação de contração

À medida que os músculos do útero se contraem a gestante pode sentir o abdômen endurecer. Quando a contração desaparece o útero relaxa. Durante a gestação as camadas do útero vão se contrair de forma irregular, ocasionando o que os médicos chamam de contrações de Braxton-Hicks ou contrações de treinamento, essas contrações não doem e também não abrem o colo do útero

No entanto, caso as contrações se tornem regulares ou mais frequentes, uma a cada 10 ou 12 minutos durante uma hora podem ser contrações de trabalho de parto prematuro e podem ocasionar abertura do colo do útero.

Como verificar as contrações

Saber verificar as contrações pode ajudar a identificar um trabalho de parto prematuro:

  • Coloque a ponta dos dedos no abdômen
  • Se você sentir seu útero contraindo e relaxando, pode ser um sinal de contração
  • Tempo suas contrações. É importante anotar o tempo entre uma contração e outra. Quando sentir a contração peça para alguém ficar de olho no relógio e ver quanto tempo leva para a próxima contração aparecer.Ligue para o seu médico e vá para o hospital se as contrações se manifestarem a cada 10 minutos ou se os outros sintomas de parto prematuro se manifestar com mais intensidade.

O que vai acontecer no hospital

Quando uma gestante chega ao hospital com suspeita de parto prematuro ela logo precisará receber atendimento para ver como ela e o bebê estão.

  • Primeiramente a equipe médica irá perguntas sobre o histórico de gestação, exames realizados e medicamentos que possam ter sido ingeridos durante a gravidez
  • Em seguida será verificada a pulsação da gestante, pressão arterial e temperatura
  • Após essa análise será colocado um monitor para verificar as contrações e a frequência cardíaca do bebê
  • Verificação do colo do útero para ver se existem sinais de dilatação.

Pode acontecer de a gestante ter uma ameaça de parto prematuro. Neste caso, o médico pode recomendar para que ela vá para casa e permaneça em repouso.

Caso seja diagnosticado que a gestante está em trabalho de parto prematuro, será necessário realizar algumas medidas para retardar o processo. Veja a seguir

  • Medicação com sulfato de magnésio, com uma dose administrada no início do tratamento e uma dose menor 12 ou 24 horas depois
  • Medicação com corticoide: esse medicamento tem como objetivo amadurecer o pulmão do bebê
  • Outros medicamentos para diminuir a frequência das contrações
  • Realização de cerclagem do colo uterino, como forma de conter o feto dentro do útero
  • Se os médicos não conseguirem parar as contrações, é provável que o trabalho de parto dará continuidade e os médicos farão o procedimento para que o bebê venha ao mundo. O tipo de parto de um bebê prematuro, normal ou cesárea, irá depender de como está a saúde da mãe e do bebê naquele momento.

Segundo a Febrasgo existem alguns fatores que precisam ser levados em consideração no momento de decidir como o bebê irá nascer. Confira a seguir:

  • Período gestacional
  • Posição do bebê
  • Peso do feto
  • Integridade das paredes uterinas
  • Tempo de trabalho de parto

Somente o médico em conjunto com a mãe poderá dizer qual é a melhor forma de trazer o bebê ao mundo. Vale ressaltar que cada caso é um caso, portanto é importante avaliar como está a saúde da mãe e do bebê para tomar a decisão mais adequada.

O que acontece com o bebê após parto prematuro

Os bebês que nasceram de parto prematuro precisam de cuidados específicos após o nascimento. Isso porque esses recém-nascidos são biologicamente mais frágeis do que os que completaram 38 semanas

De forma geral, quando um bebê nasce prematuro ele é levado para a UTI neonatal para receber os primeiros cuidados e ser avaliado cuidadosamente. A partir desta avaliação.

De acordo com o Manual de Cuidados com o Bebê Prematuro do Ministério da Saúde pode acontecer de o bebê prematuro permanecer por um longo período na UTI neonatal. O objetivo este procedimento é para que ele receba os cuidados necessários para a manutenção de sua vida.

Enquanto estiver na UTI neonatal o bebê pode precisar dos seguintes cuidados:

  • Berço aquecido ou incubadora para ajudá-lo a manter a temperatura corporal
  • Sonda gástrica para alimentação
  • Aparelhos com oxigênio para respirar adequadamente
  • Medidas rigorosas de higiene para evitar infecções.

Especialistas dizem que apesar do momento de dificuldade, os bebês prematuros apresentam uma surpreendente vontade de se superar.

Como lidar com a culpa após um parto prematuro

Apesar de os cuidados pré-natal ajudarem a identificar fatores que podem ocasionar o parto prematuro não existe uma causa para que esse tipo de situação aconteça. Sendo assim, qualquer gestante pode vir a ter um parto prematuro. É importante que a mãe saiba disso, para evitar que os sentimentos de culpa impossibilitem que ela dê assistência e carinho ao seu bebê.

Também é importante que os pais sintam que aquele bebê agora é parte de sua família. É cientificamente comprovado que o contato físico com a mãe contribui para o amadurecimento do bebê. Da mesma forma o contato físico também contribui para o fortalecimento do vínculo entre os pais e o bebê. Nos momentos em que o bebê estiver perto dos pais é importante conversar com ele, acariciá-lo, se for possível e fazer com que ele sinta que está seguro e é amado.

Pode ser que os pais precisem de apoio psicológico e orientação para cuidar do bebê enquanto ele estiver internado e quando for para casa. Nestas situações é recomendada orientação de profissionais.

Por fim é importante dizer que a obstetrícia evoluiu muito nos últimos 15 anos, onde podemos fazer predições de uma gestação suspeitando de possível prematuridade e agir na tentativa de prolongar o período gestacional até o momento máximo de segurança, onde seguramos o feto dentro do útero dentro de condições favoráveis, buscando o nascimento com a maior maturidade possível.

 

 

Fonte: minha vida

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