O que é Síndrome de Hiperestimulação Ovariana?

Esclareça suas dúvidas sobre a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO)

 

 

A síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) é uma resposta excessiva aos medicamentos (em especial as gonadotrofinas injetáveis) usados para o crescimento dos óvulos. Raramente, pode ocorrer como resultado do uso de outros medicamentos, tais como citrato de clomifeno ou hormônio liberador de gonadotropina.

Mulheres com a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana possuem um grande número de folículos crescentes e altos níveis de estradiol. Isso leva a vazamento de líquido no abdômen podendo causar inchaço e náuseas. Quando a SHO é grave, coágulos de sangue, falta de ar, dor abdominal, desidratação e vômitos podem ocorrer. Mortes raramente são relatadas.

Qual a gravidade da Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO)?

A SHO pode ser classificada como leve, moderada ou grave. Uma em cada três mulheres apresenta sintomas da síndrome leve durante a estimulação ovariana controlada para fertilização in vitro (FIV). Estes sintomas podem incluir leve inchaço abdominal, náuseas e ganho de peso devido ao acúmulo de fluidos. As mulheres com SHO moderada tipicamente têm os mesmos sintomas, mas de forma mais exacerbada.

Nos casos da SHO grave, podem ocorre sintomas como vômitos e a incapacidade de eliminar a urina (oligúria/anúria). Nestes casos, as mulheres também apresentam inchaço abdominal causando um significativo desconforto, além de falta de ar e trombose venosa profunda.

Em todos os casos de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), os ovários são aumentados.
O tamanho do ovário é um marcador do grau da SHO. Se os sintomas estão presentes, um ultrassom transvaginal ou abdominal pode ser feito para medir o tamanho do ovário e a quantidade de líquido coletado.

O tratamento da  Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO)

A SHO pode ser grave, por isso o monitoramento e a administração cuidadosos dos sintomas são importantes sempre que ocorrerem. Consultas médicas para exames de ultrassom para medir os ovários e o líquido no abdômen, além de exames de sangue, são feitos rotineiramente.
Recomenda-se a diminuição das atividades e o consumo de líquidos ricos em eletrólitos (mais de 3,5 litros por dia). Medicamentos para náuseas podem ser usados. Se houver acúmulo de líquido no abdômen, a drenagem do fluido usando uma seringa (paracentese) pode fornecer alívio significativo na maioria dos casos. Em alguns casos, mais de uma drenagem ao dia é necessária. Um medicamento chamado cabergolina também pode reduzir o acúmulo de líquidos. Raramente há necessidade de hospitalização.

Se a SHO não melhorar com atendimento ambulatorial, a mulher deve ser internada para um melhor acompanhamento clínico. O médico pode solicitar o uso de fluidos intravenosos (IV) e medicamentos para náuseas e deve remover o líquido do abdômen. Pode ser administrada outra terapia de suporte conforme necessário.

Existem outras complicações na SHO grave? Quais são elas?

Sim, as complicações da síndrome podem ser graves. A desidratação e a pressão abdominal podem ocorrer devido ao grande aumento de líquido. Estes problemas podem levar a formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos. Estes coágulos podem viajar para seus pulmões ou para outros órgãos importantes, o que pode ser potencialmente fatal.

Geralmente, as complicações podem ser evitadas pelo reconhecimento dos sinais, sintomas e evidências laboratoriais de que a SHO está piorando e pla aplicação do tratamento adequado.

Quanto tempo leva para a SHO melhorar?

Os sintomas da SHO aparecem geralmente alguns dias após a ovulação. Os sintomas geralmente desaparecem dentro de duas semanas, a menos que a gravidez ocorra. Mulheres grávidas muitas vezes continuam a ter sintomas durante 2 a 3 semanas ou mais após um teste de gravidez positivo. Os sintomas desaparecem gradualmente, e o restante da gravidez não é afetada.

Existe alguma forma de reduzir o risco de ter a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO)?

Existem várias estratégias usadas para diminuir o risco de SHO:

  • reduzir a dose de medicamentos de estimulação ovariana;
  • o uso do medicamento leuprolide em vez de gonadotripina coriónica humana (hCG) para preparar a liberação dos óvulos pode prevenir a SHO;
  • outro medicamento chamado cabergolina também pode ajudar a reduzir o acúmulo de líquidos.

A gravidez pode fazer com que a SHO dure mais tempo ou piore. Se a mulher desenvolver a SHO, deve-se evitar a gravidez imediata por meio do congelamento dos óvulos/embriões para transferência em um momento posterior, isso pode ajudar no desaparecimento mais rápido dos sintomas e a evitar que a SHO progrida.

Algumas pacientes com alto risco e ter a SHO devem receber uma dose extra de fluidos intravenosos no momento da recuperação do óvulo. A administração precoce de líquidos intravenosos pode ajudar a prevenir a piora dos sintomas mais tarde.

Pontos Importantes
  • A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) é relativamente comum após a indução da ovulação ou estimulação ovariana na FIV.
  • As mulheres com sintomas de SHO devem consultar um médico especializado em reprodução assistida assim que notar os sintomas.
  • Um exame pélvico padrão geralmente NÃO é recomendado porque os ovários são ampliados e os cistos que estão presentes podem estourar sob pressão.
  • As mulheres devem notificar o seu médico quando notarem:
    • dificuldades para respirar
    • vômito ou náusea constante
    • dificuldade em tolerar fluidos
    • inchaço abdominal
    • diminuição da micção
    • ganho de peso de mais de 3 quilos em 2 dias
    • aparecimento repentino de dor abdominal
    • outros sintomas como dormência facial, fraqueza, inchaço nas extremidades inferiores ou vermelhidão
  • A SHO muitas vezes pode ser controlada com a redução das atividades, ingestão de fluidos ricos em eletrólitos, drenagem do líquido que se acumula no abdômen, uso de medicamentos para náuseas e dor, monitoramento cuidadoso e freqüentes visitas ao médico.
  • A SHO grave (vômitos contínuos, inchaço grave do abdômen, falta de ar, incapacidade de beber líquidos ou resultados laboratoriais anormais) podem necessitar de hospitalização para monitoramento e tratamento intensivos. O risco da SHO pode ser reduzido pelo uso de doses mais baixas de gonadotropinas, leuprolide (vs. hCG) para desencadear a ovulação e cabergolina.

 

 

Fonte: cegonha med

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