Gravidez ectópica: os principais sintomas, causas e tratamento

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016 foram registradas mais de nove mil internações por causa da gravidez ectópica, quando a gestação ocorre fora do útero da mulher, ou seja, quando o óvulo fecundado se instala e se desenvolve fora da cavidade uterina. Estima-se que quase 1% da população feminina seja acometida e, embora pareça baixo, é alarmante e deve ser diagnosticado logo nos primeiros sintomas para preservar a saúde da mulher.

Muitas vezes, os sinais do problema podem passar despercebidos e têm início entre a sexta e a oitava semanas de gestação – período que se manifestam também dores abdominais, irregularidade menstrual (com ou sem sangramentos), além de mal-estar e náuseas. Vale lembrar que, na maioria dos casos, as mulheres não percebem estes sintomas por confundirem com uma gravidez normal.

As infecções, inflamações ou anormalidades nas trompas são as principais causas da gravidez ectópica, fazendo com que o embrião tenha dificuldade de percorrer o trajeto em direção ao útero. Por isso, o diagnóstico precoce acontece com maior frequência por meio da ultrassonografia transvaginal associada aos indícios, sintomas clínicos e exames laboratoriais, como as dosagens do hormônio BHCG, que nesse caso pode ter menor elevação que o normal.

Fatores que contribuem para o risco de uma gravidez ectópica

O risco de uma gestação ectópica está presente em todas as mulheres. No entanto, alguns fatores podem contribuir para isso, como ter realizado cirurgia ou apresentar uma deformidade na estrutura das tubas uterinas, ter doenças inflamatórias pélvicas e endometriose, além de ser fumante. O uso inadequado do dispositivo intrauterino como método contraceptivo, o DIU, também pode contribuir para a ocorrência do problema.

As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a clamídia, um dos principais agentes causadores da doença inflamatória pélvica, também são fatores de risco e estão diretamente relacionadas à infertilidade feminina. O problema é que a inflamação causada pela clamídia no início não é óbvia – dos 3,5 milhões de americanos infectados, 85% a 90% não têm sintoma algum. A mulher pode não sentir nada enquanto as bactérias migram em direção às trompas de falópio e, por isso, pode não estar ciente da sua infecção até a hora de tentar engravidar e constatar que ficou infértil. Em outros casos, a inflamação persistente e a cicatrização das trompas de falópio causam uma dor pélvica crônica ou um aumento das chances de uma gravidez ectópica.

Nos Estados Unidos, por exemplo, entre 2013 e 2014, o Centro de Controle de Doenças (CDC) apontou aumento de 2,8% na ocorrência da clamídia – cada novo caso dessa enfermidade é informado ao governo. No Brasil, apenas a sífilis adquirida (em adultos), congênita (em gestantes e bebês), HIV e hepatites virais exigem notificação.

Tratamento para uma gestação ectópica

Ao se confirmar uma gravidez ectópica, o tratamento requer muita atenção e pode seguir dois caminhos a depender do tamanho do saco gestacional. Na maioria dos casos, é um procedimento cirúrgico via laparoscopia com o objetivo de remover o embrião e reparar a área danificada, sendo que durante a operação o cirurgião também avalia a situação da trompa de falópio afetada e decide se deve mantê-la.

Em alguns casos específicos e diante de uma baixa gravidade, há a possibilidade de se realizar um tratamento clínico medicamentoso, para tentar promover uma reabsorção do embrião pelo organismo e preservar a trompa de falópio – desde que o embrião esteja pequeno, com menos de 4 centímetros e sem batimento cardíaco.

Gravidez futura

Mesmo que uma das trompas seja retirada por conta de uma gravidez ectópica, a fertilidade não se altera qualitativamente. Depende da preservação da outra trompa, que se vier a apresentar problemas pode diminuir a fertilidade. Para as mulheres que retiraram uma das tubas é possível engravidar posteriormente – seja de forma espontânea ou por meio dos tratamentos de fertilização in vitro. De forma natural, a chance de ter outra gravidez fora do útero pode em alguns casos, ser maior do que na população em geral.

A mulher que está tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso deve procurar seu médico sobre a possibilidade de fazer um exame chamado histerossalpingografia, que é um raio-x da cavidade uterina e de suas tubas. O exame é realizado com a injeção de iodo por meio do orifício do colo do útero. Um catéter fino vai marcar o formato do útero e das trompas e verificar se a comunicação entre eles está perfeita.

Fonte: Bebê.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *