Puerpério: Temos que cuidar da mãe para que ela cuide do bebê

A mulher enfrenta uma avalanche de transformações físicas, hormonais e emocionais após o parto. Os médicos dizem que este período, chamado de puerpério, dura de seis a oito semanas após o parto, mas isso depende de mulher para mulher – pode ser mais para umas, menos para outras.

É comum que em vez de felicidade, muitas sintam-se sozinhas, confusas, sem saber se darão conta de cuidar do bebê que acabaram de levar para casa. E aí bate a culpa por não entender como não se sentem felizes neste momento que deveria ser só alegria e realização.
Para a doula Janie de Paula, é normal que a mulher passe por um período de estranhamento nesta etapa. “No puerpério, o horário de dormir, comer, tomar banho, necessidades básicas da mulher mudam de ritmo completamente. Somado a isso tem a novidade e o desafio de conhecer o bebê que chegou. O corpo está encerrando a gestação e começando a aprender a amamentar. São muitas coisas ao mesmo tempo e tudo demandando do corpo, das sensações. Sentir tantas emoções, ter as percepções mais aguçadas é um lugar desconhecido dentro da vida comum sem filhos e fundamental para ajudar a conhecer o bebê.”

Essa montanha-russa de emoções não precisa ser encarada, inicialmente, como indícios de uma depressão pós-parto.

“Não precisamos olhar isso como enlouquecimento ou depressão diretamente. É um momento lindo da vida, quando saímos do lugar comum e podemos aprender muito sobre a vida, sobre o sentir. Uma mulher pode se sentir muito poderosa agora e uma hora depois profundamente triste, é uma dança das percepções, da adaptação”, afirma Janie.

Estima-se que até 85% das mulheres passem pelo chamado baby blues após o parto – fase de choro e irritação. Diferentemente da depressão pós-parto, o baby blues costuma desaparecer cerca de 15 dias após o nascimento do bebê. Se os sentimentos persistirem é aconselhável procurar orientação profissional.

Como ajudar

A melhor forma de ajudar uma mãe que acabou de dar à luz é permitindo-lhe que ela tenha tempo para descansar, tomar um banho, cochilar. Para isso, nada melhor que ajudando com coisas da vida prática, como planejamento com a comida, roupa e arrumação da casa.

Amigos, parentes e cônjuge podem se encarregar dessas tarefas, deixando assim tempo livre para a mulher curtir e conhecer melhor o bebê. “Temos que cuidar da mãe para que ela possa cuidar do bebê”, afirma Janie de Paula. “Cuidar das coisas práticas e permitir que a mulher possa descansar, ficar no ritmo do bebê sempre que puder, para conhecer e dar a chance de se enamorar dessas sensações e do bebê.”

Uma dica da doula para as pessoas que querem ajudar a mãe recém-parida é ouvi-la, saber o que ela precisa naquele momento. “Escute-a, escute-a, escute-a. Não se apresse para querer resolver os sentimentos dela.”

Nesse momento, por mais simples que possa parecer, vale mais uma ajuda prática. “Pergunte se ela precisa de algo da rua para ela ou para o bebê. Às vezes, aparecer às 9h da manhã para preparar e tomar junto um bom café da manhã pode ser a melhor visita do mundo”, afirma Janie de Paula.

Como se preparar

Mais do que montar o enxoval mais fofo e o quartinho mais descolado, a nova mãe deve se preocupar com as questões práticas que enfrentará após o parto. Pois é isso que fará a diferença na hora em que precisar de mais tempo para se recuperar de uma noite mal dormida ou das preocupações com as mamadas.

O conselho é para que as mães direcionem suas energias para o que importa. Bebês crescem muito rapidamente e logo perdem as roupinhas. O quarto, cedo ou tarde, vai ter que ser readaptado para a primeira infância. Melhor investir em medidas que podem trazer um pouco de paz para o puerpério.

“Imagine que você vai passar três meses em um processo de adaptação. Além de se preparar para o parto, é importante pensar em como será o dia-a-dia com o bebê nos três primeiros meses para a família. Quem cuidará do bebê? Quem cuidará da mãe? Quem cuidará de tudo o que a mulher fazia antes de ser mãe (no trabalho, na casa). Tente descobrir o que pode ser cuidado antes para garantir que os três primeiros meses possam ser dedicados ao máximo em desligar o relógio e dormir sempre que puder”, recomenda Janie de Paula.

Fonte: Veja

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