Babá ou berçário? Trabalhar ou ficar em casa? Como lidar com as escolhas do dia-a-dia na criação dos filhos


Como conciliar a rotina de trabalho com a criação dos filhos?

 

Da alimentação dos bebês à decisão pela melhor escola, educar os filhos é a prática diária de enfrentar dilemas e fazer escolhas. Lidar com essa situação é uma das maiores causas do estresse feminino, mas a única forma de enfrentá-las é aprender a conviver com elas.

Para quem quer ser uma ‘boa mãe’, o que não faltam são razões para se preocupar. Devo diminuir os refrigerantes e salgadinhos? Insistir em lanches saudáveis? Será que a babá foi a melhor opção ou teria sido melhor deixar aos cuidados da avó? Deixar chorando no berço ou pegar no colo? Proteger ou liberar, como decidir?

Para a psicóloga Isabel Leal, professora do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, a maternidade sempre foi um espaço complexo e, nos últimos 50 anos, graças aos avanços tecnológicos, à investigação psicológica e à profissionalização da mulher, essa complexidade aumentou e a própria concepção de mãe foi profundamente alterada.
“Passou-se da família alargada à família nuclear e, desta, à família monoparental. Passou-se da mãe doadora de afeto à mãe prestadora de cuidados e, desta, à mãe culpabilizada por tudo o que acontece ou não ao seu filho”, diz Isabel.

Hoje, muitas mulheres estão vivendo a maternidade como se tivessem superpoderes para o bem e para o mal sobre a vida dos filhos. Neste cenário de ‘supermulheres’ e com os dilemas que esse ‘espaço complexo’ impõe todos os dias, a mãe que deseje apenas ser amorosa e justa, responsável e educadora, continuará padecendo com as decisões sobre o que é, de fato, melhor para seus filhos, para sua família e para ela própria. E, como consequência, estará submetida diariamente ao estresse.
“A constância do estímulo estressante tem consequências danosas ao organismo e, por isso, a tendência do indivíduo é elaborar estratégias para tentar resolver problemas ou, no mínimo, para se adaptar da melhor forma possível às exigências do ambiente”, afirma a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
Em outras palavras, deixar o filho na escola em período integral talvez não seja a solução ideal, mas pode ser a estratégia mais adequada diante da necessidade de trabalhar em expediente integral.
No entanto, se essa decisão não é tomada de maneira consciente e a mãe se sente pressionada, culpada ou infeliz, não dá para dizer que houve, de fato, uma adaptação. “Quando a estratégia não é eficaz, o organismo não reage convenientemente e surgem os sinais de cansaço e de estresse”, explica a psiquiatra.

Talvez a melhor estratégia seja aprender a conviver com o fato de que nem sempre a mãe vai conseguir tomar a decisão correta, reconhecer que ser uma mãe boa o bastante é melhor do que ser uma supermãe e treinar o coração para viver com as próprias escolhas.
Fonte: delasig

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